100 anos da Revolução Russa: “Havemos de honrar o legado”, por Atnágoras Lopes

Na ocupação urbana, mora o operário que ergue mansões;

Nas imensidões do pasto, deixa o camponês o rastro;

Lastro e chassi de um carro novo, fadigas, privações…

São Metalúrgicos, Pedreiros, Povo Pobre, inundações!

 

E haja canções inauditas,

Palafitas, cercas, grilhões,

E uma força infinita, que quando ela grita

Rebenta aos milhões

 

Há uma enfermeira, ligeira, e muitas visões

Salvações a perder de vista

Há no operador petroleiro, um negro de cheiro

Que arranca, certeiro,

A vida que o picha

 

Há uma mulher, um macho, um gay, um artista…

Há condutores, há maquinistas

Lanhados de tanto amor

Que sente o ardor

Da causa que o avista

 

Da pista, da madereira, que rasga a floresta

Há o índio que, em luta, reluta e preserva sua flecha…

Desperta uma professora, que sendo doutora,

O ensino os empresta,

Se doa, se vive, de um tanto que, livre, mergulha de festa

 

Dos buracos da mineradora, “cavulcos” que agridem a terra

Na serra, que sangra em lama,

Seringueiro, mineiros, carregam a chama

Enquanto se inflama, a luz que protesta

 

Insiste o atabaque dos quilombos

Esses, que trazem nos ombros

A dor da história,

No futuro, a glória.

Que, retomada na força,

Sirene, que agora nos ouça

 

Chegamos,

Passados 100 anos,

Mantemos o bordão do operário

E, em seu centenário,

Havemos de ver a lição,

De honrar o legado,

Ouvindo o chamado

Da Revolução

 

Por Atnágoras Lopes, da Secretaria Executiva Nacional da CSP-Conlutas

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