Em visita aos EUA, Bolsonaro confirma política entreguista e assume lugar de capacho para Trump

Como primeira viagem oficial de visita a um pais, desde domingo (18) o presidente Jair Bolsonaro realizou, nos Estados Unidos, diversas atividades e encontros para aprofundar relações comerciais, políticas e ideológicas.

 

Durante a visita, o presidente do Brasil buscou formalizar concretamente nosso lugar de quintal do imperialismo e do governo norte-americano. Nada inesperado, considerando a posição submissa de Bolsonaro revelada ainda em campanha eleitoral em relação a Donald Trump e aos EUA.

 

Dentre os principais pontos colocados nessa agenda internacional, a liberação de vistos para cidadãos dos EUA, Austrália, Canadá e Japão, a entrega da Base de Alcântara para lançamento de foguetes, e o estreitamento das relações para tratar a questão da crise na Venezuela foram alguns dos mais polêmicos.

 

Base de Alcântara

entrega da base de Alcântara no Maranhão é uma das mais escandalosas entregas da soberania ao imperialismo. A base é a melhor do mundo para lançamento de foguetes, por sua localização, próxima da Linha do Equador, permitir redução de até 30% no custo de um lançamento.

 

Bolsonaro combinou uma espécie de “salvaguarda tecnológica”, chamada de AST (Acordo de Savaguardas Tecnológicas) e que prevê lançamentos de satélites com base comercial.

 

No entanto, a verba a ser recebida não permite segundo o acordo, investimentos em veículo lançador brasileiro. Ou seja, com o lucro, o Brasil não poderá investir em projetos próprios para esse setor.

 

Além da entrega de um importante patrimônio brasileiro, e de ferir a própria soberania de nosso país, essa salvaguarda prejudica diretamente setores oprimidos habitualmente atacados por Bolsonaro e sua equipe de governo.

 

O dirigente e membro da Secretaria Executiva Nacional Saulo Arcangeli  alerta para o fato de que caso esse acordo se concretize, cerca de 12 mil hectares serão tomados pelos EUA. “A expansão da Base de Alcântara pode desabrigar 2700 famílias quilombolas do Maranhão, forçando o remanejamento de mais de 100 comunidades quilombolas da região. A CSP-Conlutas, junto às comunidades ameaçadas, já organiza o enfrentamento necessário contra esse ataque”, afirmou.

 

Ataque aos imigrantes

O filho do presidente, Eduardo Bolsonaro, deputado e presidente da Comissão de Relações Exteriores da Câmara, chegou dias antes no país. A sucessão de posicionamentos polêmicos se deu desde esse início.

 

Eduardo chegou a falar publicamente que considera “os brasileiros imigrantes nos EUA uma vergonha para o Brasil”. Seu pai complementou tal ofensa, reforçando que a “maioria deles têm intenções ruins”.

 

Para escancarar sua preferência pela política discriminatória contra migrantes e refugiados e agradar a Trump, Bolsonaro ainda se colocou favorável à construção do muro na fronteira do país com o México.

 

Em entrevista concedida à BBC News, o embaixador aposentado Roberto Abdenur afirmou que vê com preocupação essa postura submissa do atual presidente brasileiro. “Bolsonaro, que tanto insiste na defesa da soberania do Brasil, está afetando, prejudicando essa soberania, se decidir alinhar-se incondicionalmente com os Estados Unidos no campo da política internacional”.

 

Uma das primeiras iniciativas colocadas nessa visita oficial foi a liberação de vistos para os EUA, Austrália, Canadá e Japão.

 

Essa medida se deu sem qualquer contrapartida, ferindo o princípio básico de reciprocidade. Vale lembrar que em 2017, quando essa possibilidade chegou a ser cogitada, o Ministério das Relações Exteriores não aprovou a medida. Nesse mesmo ano, Trump editou um decreto dificultando a concessão de visto a cidadãos de diversos países, incluindo o Brasil.

 

Política entreguista

Apesar de o governo Bolsonaro colocar como principal expectativa dessa viagem fechar acordos militares de cooperação militar e políticas comerciais para crescimento econômico, pouco do que ficou acertado até o momento de fato contribui em algo para o nosso país.

 

Na prática, os acordos feitos beneficiam os de sempre, alimentando ainda mais a velha política de garantir lucros ao agronegócio sem obter com qualquer trato comercial alguma básica vantagem como geração de empregos, por exemplo. Desta vez, favorecendo também o imperialismo americano.

 

O guru de Bolsonaro, o ministro da Economia Paulo Guedes, praticamente se ajoelhou para que os EUA avaliem a entrada do Brasil na OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico), “Por favor, nos ajudem a entrar na OCDE. Mas se não der, não há problema. Vamos em frente”, disse.

 

Guedes também pediu apoio dos EUA para aceitação do Brasil como país aliado não membro da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte). O assessor de segurança de Trump, John Bolton, declarou estar orgulhoso em fazer do Brasil parte da Otan, e pela iniciativa de agora os países trabalharem juntos nas questões que se referem a “Venezuela, Irã e China”, definindo essa visita política de Bolsonaro como um “grande encontro com um novo e forte parceiro estratégico”.

 

Para obter abertura de mercado, Guedes teve também adotou discurso pedante. O ministro garantiu entregar tudo como se fosse uma empresa. “Nós estamos vendendo. Sexta-feira passada nós vendemos 12 aeroportos. Daqui 3 a 4 meses nós vamos vender petróleo, o pré-sal. Estamos abertos para investimentos privados”, afirmou em evento em Washington.

 

Não foi à toa que a visita provocou repulsa em parte da população brasileira: ver o Brasil ajoelhado e babando diante do governo norte-americano.

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