Sem perspectivas: com a Reforma da Previdência, jovens não vão conseguir se aposentar

Se para trabalhadores que estão prestes a se aposentar ou que já estão no mercado de trabalho há vários anos, a Reforma da Previdência impõe dificuldades para a aposentadoria, para os jovens a situação é muito pior. As mudanças propostas pelo governo Bolsonaro vão tornar praticamente impossível que um jovem se aposente no futuro.

 

 

As dificuldades já são impostas por um dos principais pontos da reforma que é a criação de uma idade mínima. Em um mercado de trabalho que combina falta de vagas e informalidade, essa exigência para um trabalhador jovem significa, na prática, que ele não vai conseguir se aposentar. Se considerarmos a diferença social entre pobres e ricos no país esse quadro se agrava ainda mais.

Um jovem pobre que comece a trabalhar aos 14 anos como jovem aprendiz, por exemplo, terá de contribuir 48 anos (mulher) ou 51 anos (homem) para atingir a idade mínima de aposentadoria (62/65 anos). Alguém de classe média que comece a vida profissional aos 25 anos terá de trabalhar menos: em 37 anos (mulher) ou 40 anos (homem), atingirá a idade mínima. Ou seja, os pobres podem ter de contribuir por até 11 anos ou quase 30% a mais que a classe média.

O fim do tempo de contribuição previsto pela reforma de Bolsonaro e a exigência de 40 anos de contribuição ao INSS para obter o benefício integral é outro obstáculo: na prática, isso significará que os jovens trabalhadores que, por milagre, conseguirem chegar à aposentadoria, possivelmente receberão valores irrisórios, pois não conseguirão contribuir por tanto tempo.

Apesar da aposentadoria se tornar um sonho impossível com a Reforma da Previdência, ao longo da vida essa juventude terá um confisco dos salários. Afinal, pagarão ao INSS enquanto (e quando) conseguirem trabalhar com carteira assinada, mas não terão o direito à aposentadoria ao final.

Outra proposta da reforma de Bolsonaro, a substituição do atual regime de repartição da Previdência Social pelo Regime de Capitalização, é outro golpe contra os jovens trabalhadores.

A capitalização é uma espécie de poupança feita pelo trabalhador, que terá de depositar individualmente um valor mensal para bancos e fundos de pensão, pagando taxas de administração. Nem empresas ou governo participam. Só que, na prática, nada garante que ele vá receber algo no final. Em países, onde esse sistema foi implementado, os trabalhadores sofreram calote ou receberam valores miseráveis.

Se esse regime for adotado, como quer Bolsonaro, os trabalhadores jovens não terão sequer direito à atual Previdência Social e serão obrigados a pagar aos bancos e fundos de pensão.

 

Carteira verde e amarela sem direitos

O ministro da Economia Paulo Guedes também já anunciou que aprovada a Reforma da Previdência, sua meta será fazer uma nova reforma trabalhista, em que pretende criar a “carteira de trabalho verde e amarela”. Uma forma de contrato de trabalho com menos direitos e que permitirá condições precárias, supostamente para gerar mais empregos.

Um absurdo! Temer fez a Reforma Trabalhista em 2017 e estamos vendo o resultado: o desemprego aumentou, a informalidade e os trabalhos precários também. Isso é conversa mole para enganar os trabalhadores e garantir lucros aos empresários.

Não se engane! A Reforma da Previdência é o fim do direito à aposentadoria. Para a juventude, vai representar mais desemprego, menos direitos, uma vida sem perspectiva de futuro.

Diga não à Reforma da Previdência! Entre nesse luta! É preciso construir a Greve Geral!

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