Vereador, PM e milicianos seriam responsáveis por execução de Marielle e Anderson, revela testemunha

A brutal execução da vereadora Marielle Franco (PSOL-RJ) e seu motorista Anderson Pedro completa dois meses no próximo dia 13 sem que os responsáveis tenham sido identificados e punidos. Na última semana, contudo, novas informações foram divulgadas pela imprensa, confirmando as motivações políticas do crime.

 

 

Segundo divulgou o jornal O Globo, que informou ter obtido com exclusividade o depoimento de uma testemunha-chave, milicianos, policiais militares e um vereador seriam os responsáveis pelo assassinato a tiros de Marielle e Anderson no dia 14 de abril.

 

Um homem, que está sob proteção da polícia, acusa o vereador Marcello Siciliano (PHS) e o ex-PM e chefe de milícia Orlando Oliveira de Araújo — que cumpre pena em Bangu 9 — de tramarem o crime. Segundo o jornal, a testemunha forneceu detalhes, como datas, horários e locais dos supostos encontros entre o vereador e o miliciano.

 

Segundo o denunciante, o crime vinha sendo planejado desde junho do ano passado. Na época, Orlando era foragido da Justiça. O crime teria sido motivado pela expansão das ações políticas da parlamentar em áreas de interesse da milícia, na Zona Oeste do Rio de Janeiro.

 

Ainda de acordo com o delator, a execução do PM reformado Anderson Cláudio da Silva, dentro de seu BMW, no Recreio, em 10 de abril, está relacionada às mortes de Marielle e Anderson. Teria sido queima de arquivo.

 

Siciliano foi alvo de inquérito da Polícia Civil que investigou uma milícia que atua em Jacarepaguá. Segundo as investigações, o vereador teria ligação estreita com milicianos, inclusive com troca de telefonemas. Mas, ao final, Siciliano não foi indiciado, nem denunciado pelo Ministério Público.

 

Investigações sob sigilo e contradições

As investigações vêm sendo conduzidas pela polícia e pelos governos federal, estadual e municipal sob sigilo. Nesse período muitas informações contraditórias foram divulgadas. O assassinato ocorreu há quase dois meses e somente essa semana a Polícia Civil marcou a reconstituição do ataque.

 

A arma do crime, que inicialmente não foi identificada, foi uma submetralhadora HK MP5, utilizada normalmente por forças da elite do RJ. De alta precisão, ela tem calibre de 9mm e não costuma ser apreendida facilmente com bandidos no estado.

 

Outro fator que causa estranheza é que quase metade das câmeras de monitoramento instaladas ao longo do trajeto percorrido pelo carro que levava Marielle e Anderson estava desligada. Três delas, inclusive, haviam sido desligadas poucos dias antes do crime.

 

É preciso apuração rigorosa e punição a todos os envolvidos! Fim da intervenção no RJ!

 

A execução de Marielle e Anderson causou comoção nacional e internacional, levando milhares de pessoas às ruas. Tudo indica que, como denunciado desde o início, o crime teve motivação política, em razão da atuação da vereadora, que era crítica da ação de PM e das milícias, bem como contrária à intervenção federal do governo Temer no RJ.

 

Para o integrante da Secretaria Executiva Nacional da CSP-Conlutas Luiz Carlos Prates, o Mancha, é preciso pressionar por uma apuração rigorosa e punição de todos os envolvidos. “A PM e os governos precisam garantir uma investigação, transparente e rápida, que possa ser acompanhada pelos movimentos sociais, partidos de esquerda e organizações de defesa dos direitos humanos”, defendeu.

 

“Além disso, se faz necessário que as organizações, movimentos dos trabalhadores e partidos de esquerda intensifiquemos a luta contra a intervenção federal/militar no Rio de Janeiro, sob a qual ocorreu a execução de Marielle e Anderson e que também vem causando o aumento da violência contra a população das favelas e periferias cariocas, como já confirmam os números após três meses de intervenção”, afirmou.

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